O Homem sem Rosto

16 Novembro, 2009 por jornalistaalexandresantos

 

Gravura "O Homem sem Rosto" by ~psicopaulo

          A cobertura do jornalismo da Globo sobre o desabamento das vigas do rodoanel está uma beleza. Uma coisa de louco. Eles falam sobre um tal “responsável pela obra”. Mas quem será, então, esse ser sem rosto, sem nome, sem identidade? As reportagens nunca citam como responsável o Governo de São Paulo, que tem no currículo desabamentos nas obras do Fura-Fila e da Linha 4 do Metrô.

          Estranhamente, as matérias desinformam mais do que informam os telespectadores, pois falam de possíveis causas para o acidente, que, diga-se de passagem, por pouco não se transformou em tragédia, mas não dá nomes aos bois quando o assunto é a responsabilidade. Nas peças publicitárias, mostrando a grandeza e os benefícios do Rodoanel, o governador de São Paulo, José Serra, aparece como pai da criança, mas depois que desaba…

          – Quem é então o responsável?

         –  Xi, não pergunta que complica!

         – Ah, é uma empreiteira.

         Tudo bem. Então que empreiteira é essa? Qual o nome? A quem pertence? Como foi escolhida? Quem é o engenheiro que assina o projeto que essa empreiteira apresentou ao Governo de São Paulo e foi aprovado? O Governo do Estado não fiscaliza suas obras?

         Na reportagem, um engenheiro do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) disse que se uma das vigas havia trincado, não deveriam ter colocado as outras quatro. Ele disse que o certo seria fixar as cinco vigas ao mesmo tempo e fazer amarrações com cabos de aço.

          Então, quem deixou que a gambiarra fosse feita? Não havia engenheiros na hora da colocação das vigas? Se havia, quem eram? O engenheiro responsável pela fiscalização do Governo de São Paulo não estava lá? Por que? Ele estava? Então por que deixou que o procedimento fosse feito de maneira errada? Quem é o responsável por deixar o trabalho ser feito da maneira errada, colocando em risco a vida das pessoas?

          Aliás, tem-se que colocar as mãos para o céu e agradecer a Deus o fato de não ter morrido ninguém nesse acidente. O próprio motorista do caminhão atingido, ao ser liberado do hospital, afirmou que não sabia como sobreviveu.

          Não quero ensinar Pai Nosso a vigário, mas essas me parecem perguntas básicas a serem feitas numa cobertura jornalística séria. De duas, uma: ou a Globo desaprendeu a trabalhar ou, por algum motivo, nesse caso, está se omitindo e tentando de todas as formas manter na penumbra os tais responsáveis pela lambança.

Alexandre Santos
16/11/2009

A Impunidade Constitucional

12 Setembro, 2009 por jornalistaalexandresantos

bafometro

          Passados os festejos do dia da Independência do Brasil, uma notícia me chamou atenção: oito, em cada dez motoristas pegos em flagrante dirigindo embriagados, são absolvidos pelos juízes das penas previstas em lei. Motivo: falta de provas.

          O leitor menos avisado pode perguntar: ué, mas como falta de provas, se o cara foi pego em flagrante? Boa pergunta, que aliás as “excelências” que compõem o Poder Legislativo deveriam se fazer também. Mas é verdade. A falta de provas documentais tem gerado uma onda de impunidade e uma terrível sensação de no Brasil as leis não valem de nada. Pior ainda, a falta de punição em 80% dos casos promove ainda mais um hábito bastante presente na cultura tupiniquim, infelizmente: o famoso “tô nem aí”.

          É triste, mas é verdade. As pessoas são tão apegadas aos seus interesses mesquinhos e pequenos prazeres particulares que não estão nem aí para as consequências de suas atitudes na vida das pessoas que estão ao seu redor. Infelizmente, existe em nós brasileiros um conceito de independência bastante nocivo à convivência em sociedade. Para uma grande parte de nós, ser independente, dono do próprio nariz, emancipado, significa que posso fazer o que quiser, o que der na cabeça e se lixar para os outros. Afinal, segundo esse modo de pensar, pago meus impostos, não devo a ninguém e por isso ninguém tem nada a ver com o que faço da minha vida. Se o fato de dirigir completamente embriagado coloca a própria vida e as de outras pessoas em risco, não importa.

         Seguindo esse pensamento, acabamos vivendo numa sociedade individualista. Não somos capazes de sacrificar alguns goles de cerveja em prol da vida das pessoas. Aliás, se for olhar direitinho, num tipo de convivência assim, não se abdica de nada por ninguém. Nem por amor, nem por respeito. A única coisa que conta é satisfazer o gosto, ou o vício, particular.

          Um exemplo dessa mentalidade está justamente na reação que muitas pessoas, até personalidades do meio artístico, tiveram diante da criação da Lei Antifumo, que entrou em vigor recentemente no Estado de São Paulo, e, logo em seguida, em alguns outros Estados do país. O argumento? O de sempre: “estão cerceando nossa liberdade, é um abuso de poder, pagos meus impostos e tenho direito de fumar onde eu quiser”. Essas foram algumas das frases ditas por várias pessoas, entre elas, até mesmo formadores de opinião.

          Para esclarecer aos que não vivem nos Estados em que foi aplicada, a lei diz que os fumantes estão proibidos de fumar em lugares fechados, ou seja, restaurantes, boates, casas de show, repartições, etc. Se quiserem, terão que se retirar do ambiente para fumar. A questão toda é que antes da lei ser aplicada, pessoas não fumantes que trabalhavam ou freqüentavam esses ambientes ficavam expostos aos gases nocivos à saúde produzidos pelas baforadas alheias. Numa reportagem do Fantástico, assim que a lei foi sancionada, o doutor Dráuzio Varela mostrou os danos causados aos não-fumantes por estarem no mesmo ambiente de pessoas fumantes. Para isso, ele mediu o nível de toxinas presentes nos pulmões de um garçom no início do expediente em um restaurante e depois voltou a medir no final da noite de trabalho. A diferença foi assustadora. Os níveis de intoxicação pela nicotina e outras substâncias eram muitas vezes maiores do que na primeira medição.

          Se os fumantes pagam seus impostos e têm direito de fumar e acabar com suas vidas, os não-fumantes são tão cidadãos quanto eles, pagam os mesmíssimos impostos e têm o direito de não fumar. Ninguém pode ser obrigado a fumar passivamente. Mas a sociedade particularista que criamos não age assim, e a mentalidade do “cada um por si” vai se sobressaindo, ganhando força, se realimentando a cada atitude como essa.

          Talvez por isso seja tão difícil para essa sociedade entender e acreditar num livro que diz que um Deus um dia resolveu se rebaixar à condição de um homem comum, mortal, nada especial. E que esse mesmo Deus, se fazendo homem, decidiu um dia entregar a sua vida para que outros, incluindo seus algozes, pudessem desfrutar de uma vida plena e eterna. Não é à toa que não conseguimos conceber isso. Nós não aceitamos abrir mão de coisas tão menores do que isso para fazer alguém feliz. Logo nos sentimos amedrontados com a possibilidade de estarmos sendo bestas, ou trouxas (como dizem os paulistas). Como, ao buscar uma liberdade sem limites e sem consequências, acabamos por nos aprisionar cada vez mais em nossos conceitos, medos e idiossincrasias.

           Voltando à impunidade no caso da Lei Seca, o fato é que os juízes têm sido obrigados a absolver os réus porque, embora a lei proíba o ato de dirigir tendo consumido álcool, ela não obriga o motorista abordado a se submeter ao teste do bafômetro. Isso porque essa obrigação, segundo o argumento dos juristas, feriria o princípio constitucional que diz que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Por causa disso, até mesmo em casos extremos, em que os motoristas foram flagrados totalmente sem condições sequer de caminhar ou falar normalmente, a recusa de fazer o teste tem deixado os juízes de mãos atadas, por falta de provas concretas.

          Vendo essa situação, a gente chega à seguinte questão: para que serve uma lei que, na prática, não pode ser aplicada? Acho incrível como se permite que uma legislação que tem como objetivos reduzir os altíssimos índices de acidentes de trânsito e proteger a vida dos cidadãos, incluindo as dos próprios infratores, seja paralisada por um mero argumento. Perdoem-me a ignorância, mas, pelo menos nos casos extremos, alguém que põe a própria vida e as de outras pessoas em risco, dirigindo embriagado, não deve estar muito preocupado em ser constitucionalmente correto. Assim, essas pessoas poderiam ser a exceção à regra, e os guardas poderiam ter autorização para infringir o tal argumento e obrigar os motoristas a enfrentar o bafômetro.

          Outra solução simples seria equipar os guardas com câmeras de vídeo. Talvez nem precisasse ser uma filmadora semi-profissional, uma câmera simples já resolveria. Nesses casos extremos, em que os motoristas estão visivelmente embriagados, os fiscais gravariam desde o momento da abordagem, avisando-os que estavam sendo filmados e solicitando a submissão ao teste do bafômetro. Em caso de recusa, estariam documentados em vídeo tanto a recusa quanto o estado do motorista.

          Provavelmente, algum jurista, acadêmico ou baluarte de qualquer outra camada da sociedade, muito preocupado com a constituição e menos com a segurança dos cidadãos, dirá se tratar de uma idéia simplória e encontrará algum outro argumento que torne a medida inconstitucional. E isso, já já, pode acontecer também em relação à lei antifumo. E aí o Brasil continua o mesmo: um país cheio de leis inaplicáveis.

          Talvez eu seja simplório mesmo e até ignorante. Mas não sou hipócrita a ponto de achar que um argumento pode ser mais valioso que uma vida. Se não é de soluções simples que precisamos para ver nossas leis sendo cumpridas, então que se levantem os sábios da nação e proponham algo melhor elaborado. Que os poderes do Estado encontrem soluções reais para conter a impunidade aque assola o país e parem de cuidar apenas de seus interesses políticos e econômicos particulares.

          Alexandre Santos
08/09/2009

Anjos de Resgate – Perfil

7 Agosto, 2009 por jornalistaalexandresantos

possato41

Inovação e qualidade. Essas duas palavras resumem bem o trabalho e a história de um dos maiores fenômenos da música católica no Brasil: a banda Anjos de Resgate.

Realizando mais de 100 shows por ano, percorrendo todo o Brasil e lotando os recintos onde se apresenta, a banda Anjos de Resgate tem 5 CDs e 1 DVD gravados e já vendeu cerca de 1 milhão de cópias, conquistando 5 discos de ouro, 2 discos de platina, 1 disco de platina duplo e o primeiro DVD de ouro da história da música católica.

O grupo está lançando seu segundo DVD, Anjos de Resgate – Ao vivo em Brasília, gravado em dezembro de 2008, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, na Capital Federal.

Apesar de todo esse sucesso, o objetivo da banda Anjos de Resgate vai mais além: fazer da música um instrumento de conversão para muitos corações, ser sinal de vida em um mundo marcado por uma cultura de morte.

Fundada em 2000, o Anjos de Resgate emplacou vários sucessos logo no primeiro disco, intitulado Deus está no Ar. Entre eles, Anjos de Resgate (Manda teu anjos), que também foi gravada pelo Pe. Marcelo Rossi, e Amigos pela fé; canções que ainda hoje fazem parte do repertório de ministérios de música que tocam em missas, grupos de oração, encontros de jovens e retiros em todo o Brasil. Deus está no Ar ultrapassou a marca de 150 mil cópias vendidas, conquistando Discos de Ouro e Platina Duplo.

Em 2002, o grupo lançou o CD Luz das Nações, que alavancou ainda mais o sucesso da banda com as canções Estou Aqui, Mais que Amigos, Tua Família e Tenha Sede de Deus. O disco ultrapassou  a marca de 130 mil cópias vendidas, sendo premiado com o Discos de Ouro e Platina.

O terceiro CD da banda, Um Só Coração, veio em 2003 e emplacou os sucessos Majestosa Eucaristia, O céu está rezando por ti e Maria e o Anjo. O álbum passou de 80 mil cópias e conquistou o Disco de Ouro.

Em 2004, o grupo celebrou a sua história com a gravação de um CD e DVD ao vivo, num grande espetáculo realizado na casa de shows Olimpo, no Rio de Janeiro (RJ). Com versões dos grandes sucessos da banda, Mais que Amigos – Ao Vivo vendeu cerca de 112 mil CDs, o que lhe rendeu um Disco de Ouro e outro de Platina, e mais de 30 mil DVDs, conquistando o primeiro DVD de Ouro da história da música católica. A música tema do álbum fez parte da trilha sonora do filme Maria, mãe do Filho de Deus, com Giovanna Antonelli e Luigi Baricelli, produzido pelo Padre Marcelo Rossi.

Em 2006, com o lançamento do quinto CD da banda, o grupo voltou a inovar no cenário da música católica. Seja Luz foi lançado com uma tiragem de 50 mil cópias vendidas. Foi a primeira vez em que um disco de música católica foi lançado já com Disco de Ouro. O álbum emplacou vários sucessos que têm sido cantados em todo o Brasil. Entre eles, Oceano de Misericórdia, A Cruz Sagrada, Por Amor, Pão dos Anjos, Sou teu Anjo e O Primeiro Olhar.

No ano seguinte, a banda gravou a faixa Dai-nos a Bênção e foi responsável pela produção musical do CD Bendito o que vem em nome do Senhor, álbum oficial da visita do Papa Bento XVI ao Brasil, que também contou com as participações dos cantores Daniel, Elba Ramalho, Joana e da dupla Gian e Giovani. Na ocasião, o grupo também fez um show especial durante o Encontro do Papa com a Juventude, em maio daquele ano. O evento reuniu mais de 40 mil jovens no Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

Os membros do grupo experimentam  a partilha de vida no dia-a-dia e vivem a alegria de servir a Deus. Dessa vivência, eles tiram a força e o direcionamento espiritual que norteiam os trabalhos da banda e da equipe que a acompanha. “Ser Anjos de Resgate é realmente uma missão: resgatar almas para o Reino de Deus, para juntos podermos louvar Nosso Senhor, Deus todo poderoso e fiel”, diz Marcelo Duarte.

A banda Anjos de Resgate é formada pelo vocalista Marcelo Duarte (violões, guitarra base e teclados), Demian Tiguez (guitarra solo, violões e vocais), Eraldo Mattos (baixo e vocais), Maikon Máximo (bateria, percussão e vocais) e o multifacetário Francis Botene (teclados, violões, sax, gaita e vocais).

Mas o Anjos de Resgate não se resume apenas aos músicos. A banda também é formada por uma equipe de bastidores: Ney Nogueira (produtor), Adriano Calabrez (Técnico de Som – Palco), Haroldo Motta (Técnico de Som – P.A.) e Abdias Júnior (Iluminador).

Saiba mais sobre a banda Anjos de Resgate:

www.anjosderesgate.com.br

Alexandre Santos
*trabalho para a gravadora Codimuc

Empresário secular descobre bandas católicas

29 Julho, 2009 por jornalistaalexandresantos

Sílvio Rodrigues já empresariou grandes nomes da música sertaneja

Sílvio Rodrigues já empresariou grandes nomes da música sertaneja

Um olheiro do mercado musical. É assim que o manager artístico Sílvio Rodrigues define o seu trabalho na música brasileira. Responsável pelo sucesso de diversos artistas, especialmente no mercado sertanejo, e idealizador da SDR Produções, uma das maiores produtoras do Brasil, ele agora está colocando todo o seu know how e experiência a serviço da música católica.

Já há alguns meses gerenciando a carreira da banda Rosa de Saron, Sílvio Rodrigues também está iniciando um trabalho com a banda Anjos de Resgate, que está lançando o CD/DVD Anjos de Resgate Ao vivo em Brasília.

Sincero e entusiasmado, Sílvio bateu um papo com o jornalismo da CODIMUC e falou sobre a ascensão da música católica e as diferenças entre o trabalho com o público sertanejo e o religioso.

Alexandre Santos – Fala um pouco sobre sua carreira, como você começou nesse ramo.

Silvio Rodrigues – Eu comecei aos 16 anos, no colégio. A turma precisava fazer uma festa junina para arrecadar fundos para a formatura. Como não tinha dinheiro para investir, eles ficaram com medo, mas eu fui adiante e fiz a festa. E deu super certo, foi um sucesso.

Depois dessa primeira experiência, eu acabei gostando muito de trabalhar com isso e passei dois anos realizando eventos de pequeno porte. Essas festas foram ficando famosas e eu fui ousando mais. A partir daí, promovi shows com diversos artistas, entre eles a banda Capital Inicial, Bruno e Marrone, Zezé de Camargo e Luciano, Leonardo, entre outros. Por trabalhar bem esses eventos, fazendo tudo bem organizado e com muita seriedade e respeito, eu fui ganhando o carinho do meio artístico e muitos desses artistas começaram e me incentivar a trabalhar como empresário.

Quando comecei a empresariar, percebi que o mercado tinha uma carência de novos projetos. Então preferi criar novos espaços e lancei essa idéia dentro do mercado paralelo de música sertaneja. O que acabou dando muito certo. Várias duplas lançadas por nós estão fazendo grande sucesso.

Assim surgiu a SDR Produções, que hoje é uma das maiores empresas de shows do Brasil, e as suas ramificações, como a SDR Filmes, que realiza projetos publicitários. Depois comecei a despertar para as composições também e algumas das minhas músicas estão nas trilhas sonoras de algumas novelas, como A Favorita e Paraíso, e eventos da Rede Globo, como o Criança Esperança.

Alexandre Santos – Hoje você está trabalhando com a banda Rosa de Saron e também vai começar um trabalho com o Anjos de Resgate. Como você entrou nesse segmento da música católica?

Silvio Rodrigues – Eu sou como que um olheiro do mercado musical. Sentindo que havia a necessidade de novas idéias, comecei a pesquisar e a ouvir falar muito do Anjos de Resgate e do Rosa de Saron. Então percebi que seria um projeto muito interessante abrir caminho para a música cristã dentro do mercado secular. Primeiro, por causa da indiscutível qualidade musical que há nesse meio e também por causa da carência de novas idéias.

Assim entrei em contato com o Eduardo (guitarrista do Rosa de Saron), fiz uma proposta e eles me pediram que fizéssemos um tempo de experiência, para ver se ia dar certo. Então comecei a trabalhar a divulgação deles de uma forma que quando a banda fosse se apresentar nos programas de TV, já fosse bastante conhecida. Para isso, comecei a abrir espaço para a música cristã dentro das feiras de exposição. Não foi fácil, mas graças a Deus passei no tempo de experiência e estamos aí já colhendo bons frutos desse trabalho.

Alexandre Santos – E o Anjos de Resgate, como surgiu a idéia de também trabalhar com eles?

Silvio Rodrigues – No meu ponto de vista, o Anjos de Resgate é a banda mais popular do meio católico. Como falei antes, sempre que pesquisava ouvia falar da banda. Quando fui pesquisar mais a fundo, vi que o grupo já tinha uma certa estrutura, estava ligada a uma gravadora e achei que teria dificuldade de chegar até eles. Peguei o telefone, mas resolvi esperar.

A experiência inicial que tive com o Rosa de Saron e o fato de ter passado na avaliação deles acabou reforçando a coragem para procurar o Anjos de Resgate. Entendi que era hora de continuar com o mesmo trabalho, porém com mais ousadia. Acredito que um DVD tão maravilhoso, com mensagem e qualidade tão boas, tem que atingir um público maior. E para isso é preciso investir no crescimento, usar mais da tecnologia. Por isso, colocamos à disposição do Anjos de Resgate uma grande estrutura, com cerca de 28 profissionais, trabalhando para fazer esse trabalho atingir uma grande multidão que precisa ouvir a mensagem que eles trazem.

Alexandre Santos – Que diferenças você percebe ao lidar com o meio secular e o meio cristão católico?

Sílvio Rodrigues – A diferença maior é que o público secular não é fiel. Ele gosta de determinada música naquele momento. No caso do Anjos e do Rosa, percebo que o público está junto com a banda, não abandona, torce, acompanha. A conquista da banda é também conquista dessas pessoas, que se alegram com o sucesso do grupo. Literalmente, o público secular é de momento e o religioso é fiel à banda. No meio cristão, a s pessoas não gostam da banda apenas pela música, mas pela mensagem que eles carregam.

Isso é legal porque muitas bandas de sucesso não duram mais do que cinco anos. Perto do Anjos e do Rosa, muitos grupos conhecidos do grande público se tornam pequenos, porque têm toda a mídia à disposição, enquanto, tanto Anjos de Resgate quanto Rosa de Saron estão há todo esse tempo fazendo sucesso sem todos esses recursos.

Outra diferença é que não é simplesmente empresariar uma banda, mas ser responsável por uma mentalidade de fazer o bem, praticando preços populares, proporcionando às pessoas uma boa mensagem para a própria vida, uma palavra de paz, num tempo em que tanto se precisa. Estamos abrindo o mercado para pessoas que gostam de outro tipo de som, que querem levar suas famílias para assistir a um show bem produzido e que comunica boas mensagens.

Alexandre Santos – Além do Rosa de Saron e Anjos de Resgate, outros artistas, como o Pe. Fábio de Melo e a cantora Adriana também estão ganhando espaço na mídia secular. Como você está vendo esse momento da música católica?

Sílvio Rodrigues – Acho que abriram um espaço que antes era muito fechado. Estão descobrindo que um produto religioso também sustenta uma grande empresa e dá estabilidade a eventos. A música católica é muito consumida, mas ninguém havia visto isso ainda.

Os padres têm um papel importante nessa abertura. O Pe. Marcelo Rossi chegou a 3 milhões de cópias vendidas, o que é extraordinário. Tem o Pe. Fábio de Melo, que está fazendo muito sucesso, o Pe. Reginaldo Manzotti, que também está vindo por aí. Enfim, o mercado abriu os olhos e viu que é um produto que pode salvar uma empresa. Os padres abriram as portas e a gente vem com a ousadia do Rosa de Saron e do Anjos de Resgate.

Tanto a música católica quanto a gospel cresceram muito. A febre do mercado vai ser a música religiosa. O Rosa de Saron hoje está tocando nas grandes redes de Rádio do Brasil. Também estamos trabalhando com o André Valadão e o Mattos Nascimento, no meio evangélico. Creio que o Anjos de Resgate vai quebrar mais uma barreira e vai levar essa mensagem a um público ainda maior.

Alexandre Santos – Deixa uma mensagem para a galera que curte o Anjos de Resgate

Sílvio Rodrigues – Gostaria de saudar a todos, mandar um grande abraço e dizer que vamos trabalhar para que o Anjos de Resgate tenha mais visibilidade, pois tem qualidade para isso. Por isso pedimos o apoio e as orações de todos.

Uma coisa que gostaria de frisar é que tudo o que cresce gera um custo maior, pois estamos investindo mais em divulgação e na qualidade do show. O Anjos de Resgate está ganhando mais asas, para voar mais alto. O público tem só que abraçar e apoiar, pois essa evangelização que tem chegado a tantos vai atingir muito mais gente.

Roteiro do Trailer do DVD “Anjos de Resgate – Ao vivo em Brasília”

25 Junho, 2009 por jornalistaalexandresantos

         

 

          O jornalista Alexandre Santos foi responsável pelo roteiro original do trailer do DVD “Anjos de Resgate – Ao vivo em Brasília”. A edição foi feita pela empresa Jacques Vídeo.

Segue abaixo o roteiro original:

Anjos de Resgate – Ao vivo em Brasília

 

Roteiro Trailer

Tempo aproximado: 2’32”

Obs: todos os tempos são aproximados

 

Áudio

Vídeo

Tempo

Texto

Entra introdução antes de “A CRUZ SAGRADA”Três ataques (Tan, Tan, Tan)No terceiro, entra texto com fundo preto. IMAGENS DO DVD     

 

FADE OUT

 

    

10”

      

VEM AÍ

(FADE OUT)

O DVD MAIS ESPERADO DO ANO

Entra vocal “O céu inteiro está rezando por ti, se for preciso nós estamos aqui”, seguido pelo solo de guitarra início. CAI PARA BG INICIA COM IMAGEM DA MÚSICADEPOIS ENTRA
1.Trechos rápidos de bastidores
2. Movimento de câmera da grua sobre o público e a banda
3. Trechos rápidos, pegando vários momentos do show (dança, galera pulando. Marcelo cantando, Francis no Sax, solo do Maikon, micro-câmera da guitarra e teclado,  etc) 
 

25”

 

    
Entra trecho da fala de Eraldo antes do momento Acústico: “Porque a nossa historia é uma história de quem dá a vida um pelo outro. É uma história de quem é amigo para sempre, amigo de verdade”.   IMAGEM DO DVD

 

10”

 
ENTRA refrão da música “MAIS QUE AMIGOS” CAI PARA BG IMAGEM DO DVD     DEPOIS ENTRA PARTICIPAÇÕES (slow motion)

1.Imagem de Walmir e Fátima

2. Imagem de Raquel Duarte

3. Imagem de Netinho

4. Imagem de Batista Lima

10”

 

15”

      

 

Adoração e Vida

Raquel Duarte

Netinho

Batista Lima

ENTRA REFRÃO DE “POR TUAS CHAGAS” (primeira parte – até “só por amor”)  IMAGEM DO DVD     

13”

 

 

 

 
Entra fala de Walmir Alencar em off:“Pode fazer festa ao Senhor da sua vida” (barulho do público)  IMAGEM DA ADORAÇÃO EM SEGUIDA, SLOW MOTION DO DEMIAN, QUANDO APONTA PARA O CÉU (durante apresentação na última música)

 

7”

 

4”

 
 Entra introdução de “A CRUZ SAGRADA” CAI PARA BG   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 INICIA COM IMAGEM DA MÚSICA   Entra uma frase de cada entrevista:

Marcelo (sugestão: quando ele fala que o missionário faz a vontade de Deus)

 

Maikon (Sugestão: quando ele fala que ser Anjos de resgate é uma responsabilidade)

 

Francis (Sugestão: quando ele fala que trabalhar no DVD é muito bom, que quando acaba dá vontade de fazer tudo  de novo)

 

Demian (Sugestão: quando ele fala que todo mundo que leva a palavra de Jesus é Anjos de Resgate)

 

 

 

 

5”

 

 

5”

 

 

5”

 

 

 

5”

 

 

 5”

 

 

 
FUSÃO COM REFRÃO DE “SEJA LUZ”  IMAGEM DA MÚSICA Imagens diversas do DVD e dos bastidores

5”

10”

 
ENTRA ÁUDIO DO PÚBLICO: “Anjos, Anjos, Anjos, Anjos”  IMAGENS EM PB (câmera lenta)Algumas daquelas imagens que em preto e branco que estão no início do DVD (a banda ensaiando, rezando, conversando, se abraçando) FADE OUT

 

  

10”

 
  ÁUDIO DA ANIMAÇÃO   ENTRA ANIMAÇÃO DO LOGOTIPO DO DVD “ANJOS DE RESGATE AO VIVO EM BRASÍLIA” FADE OUT    

5”

 
FADE OUT FINAL  FADE OUT

3”

AGUARDE!

Alexandre Santos
*trabalho para a gravadora Codimuc – maio/2009

DVD Anjos de Resgate – Ao vivo em Brasília

25 Junho, 2009 por jornalistaalexandresantos

anjosaovivo_DVD          Uma super produção de som, luz e cenário, grandes sucessos, músicos de altíssima qualidade, emoção à flor da pele, além da versatilidade e do carisma de uma das maiores bandas da música católica. Esse é o DVD Anjos de Resgate Ao Vivo – Em Brasília, lançado pela gravadora CODIMUC.

         Com 20 faixas, o novo trabalho do grupo apresenta uma nova formação, liderada pelo vocalista Marcelo Duarte, e também uma nova dinâmica de palco, em que todos os integrantes cantam e se revezam em vários instrumentos. Apesar das novidades, o grupo mantém suas maiores características: a qualidade musical e uma profunda espiritualidade.

         Com arranjos do próprio Marcelo Duarte, o álbum tem como destaques as faixas Amigos pela Fé e Mais que Amigos, num momento acústico em que toda a banda canta. Outros destaques são os sucessos O Céu está rezando por ti, A Cruz Sagrada, Seja Luz, Estou Aqui, entre outros.

         Duas faixas inéditas completam o DVD: a música Jesus, eu te Adoro e a canção Por tuas Chagas, que conta com a participação especial de Batista Lima, vocalista da banda de forró Limão com Mel. O cantor também faz participação na música Por Amor e dá seu testemunho de conversão.

         Anjos de Resgate Ao vivo – Em Brasília conta ainda com as participações dos vocalistas do grupo Adoração e Vida, Walmir Alencar e Fátima Souza, do cantor Netinho e de Raquel Duarte, esposa de Marcelo Duarte, com quem faz um dueto na faixa Primeiro Olhar. O DVD traz ainda entrevistas, bastidores da gravação, um dia com o grupo na estrada e muito mais surpresas para o público.

         Com 9 anos de carreira, a banda Anjos de Resgate chega ao seu sétimo trabalho depois de ultrapassar a marca de 500 mil cópias vendidas e conquistar 5 discos de ouro, 2 discos de platina, 1 disco de platina duplo e o primeiro DVD de ouro da história da música católica.

          O grupo é formado por Marcelo Duarte (voz, violão, guitarra e teclados), Francis Botene (vocais, teclados, violão, gaita e sax), Eraldo Mattos (vocais e baixo), Demian Tiguez (vocais, guitarras e violões) e Maikon Máximo (vocais, bateria, percussão e violão).

         O CD/DVD Anjos de Resgate Ao vivo – Em Brasília já está disponível nas melhores lojas do Brasil e também pela internet, no site www.codimuc.com.br.

Alexandre Santos
*trabalho para a gravadora Codimuc

O Voo da Gaivota

24 Abril, 2009 por jornalistaalexandresantos
ovoodagaivota

Capa do CD "O Voo da Gaivota"

                           

Poesia em estado puro, música em ebulição, saindo pelos poros, revelando sentimentos, reverenciando a beleza, a natureza, o amor. Descortinando a vida, num entrelaçar de acordes, melodias e emoções. Esse é O Voo da Gaivota, primeiro CD sinfônico do compositor Flavio Romano Scognamiglio, terceiro da carreira, lançado pelo selo Gaivota Music.

O concerto de lançamento acontece no dia 28/05/2009, no SESC Santana, em São Paulo (SP). Além de marcar o lançamento do disco, o evento abre a turnê “O Voo da Gaivota”, que deve percorrer diversas cidades do Brasil.

Com 12 faixas, o álbum sobrevoa a vida com um repertório que faz alusão a diversos aspectos do cotidiano. O disco reúne algumas canções dos dois primeiros trabalhos do compositor, mas com esta nova leitura. É o caso de Pequenos Gestos de Amor, Sinfonia Nordestina, A Mio Figlio, Introspecção, Praça das Flores, entre outras. Três músicas inéditas completam o repertório: Flora, Verão 2000 e O Voo da Gaivota, faixa tema do CD.

O álbum tem como destaques as faixas Poema do Agradecimento, que em 2006 foi interpretada pela orquestra Camerata Vitta e aplaudida de pé por mais de 1.200 pessoas, no Museu da Casa Brasileira, e A Grande Viagem, tema do primeiro concerto do compositor, que surpreendeu o público que lotou o Espaço Promon, em novembro do mesmo ano.

O disco conta com as participações especiais da mezzo-soprano Mere Oliveira, nas faixas Introspecção e Momentos Preciosos, do violonista Ronaldo Dias Azeredo, em Noites de Sevilha, e do Pianista Marcelo Elias, em Pequenos Gestos de Amor e Momentos Preciosos. Já o compositor Flavio Romano Scognamiglio apresenta toda a sua sensibilidade, nas faixas Flora e A Grande Viagem.

Gravado nos estúdios da Paulus, em São Paulo, O Voo da Gaivota traz arranjos primorosos do maestro Rodrigo Vitta, reconhecido pelo seu trabalho no desenvolvimento profissional de jovens músicos. O álbum celebra o “casamento” entre um experiente e excepcional maestro e um promissor e talentosíssimo compositor. Segundo Rodrigo Vitta, Flavio Romano Scognamiglio é um poeta sinfônico, do tipo que não se vê há muito tempo e que vai surpreender o público. “Sua música é pura poesia, declamada pelos instrumentos de uma orquestra. Não se faz mais música assim! Música Sinfônica com caráter de poesia instrumental romântica. Flavio, com este CD, certamente fará história e entrará para o hall dos grandes compositores brasileiros”, afirma o maestro.

O encontro entre os dois músicos aconteceu em 2005, quando o maestro Rodrigo Vitta foi apresentado às composições de Flavio Romano Scognamiglio e ficou sabendo do sonho do compositor em ter suas obras interpretadas por uma orquestra. Ao ouvir as melodias de Flavio, a identificação e a admiração pela obra do músico foram instantâneas: “Assim que escutei, imediatamente minha cabeça começou a trabalhar e a ter diversas ideias de como poderiam ser os arranjos”, relembra Vitta.

Após um jantar e longas horas de conversa sobre estilos musicais, arranjos, interpretações, Flavio apresentou algumas de suas canções ao piano e os dois começaram a trançar uma grande parceria, consolidada em 2006, com a interpretação da música Poema do Agradecimento pela Camerata Vitta, sob regência de Rodrigo Vitta, e com a realização do concerto A Grande Viagem. Em 2008, os dois repetiram o sucesso, dessa vez com o concerto Momentos Preciosos in Concert, interpretado pela Orquestra Filarmônica Metropolitana.

O álbum O Voo da Gaivota já está disponível nas melhores lojas de CDs do Brasil e também pode ser encontrado no site www.flavioromano.com.  Ouça e surpreenda-se!

 

 

O Poeta Sinfônico

 

Paulistano, pai de três filhos, Flavio Romano Scognamiglio começou a se interessar pela música ainda criança. Depois dos primeiros estudos musicais, acabou cursando as Faculdades de Direito e de Ciências Econômicas.

O primeiro CD, intitulado O Poema do Agradecimento, foi lançado em 2004 e traz composições próprias, com belos arranjos do maestro Marcelo Elias, que vão da Bossa-Nova ao Pop. No segundo trabalho, o álbum Momentos Preciosos, o compositor segue a mesma linha, misturando o popular e o erudito, conferindo à sua obra sensibilidade e requinte. Músicas que podem ser apreciadas por qualquer pessoa… Em qualquer lugar do mundo!

Ao longo de sua carreira, Flavio Romano Scognamiglio recebeu orientações de grandes professores, como Hilton Jorge (Gogô), Marcelo Elias e o maestro Rodrigo Vitta, que foram fundamentais na trajetória do músico, captando com precisão o nível de sensibilidade que o compositor desejava imprimir em cada uma de suas obras.

Uma das grandes características da musicalidade de Scognamiglio é a contraposição de ritmos e instrumentos aparentemente contrastantes, como violas e sanfonas, soando em primeiro plano, harmonizando-se com um naipe de violinos ao fundo. O resultado final é um efeito original e interessante, que surpreende e encanta o público.

 

 O Maestro

 

Idealizador da orquestra Camerata Vitta e do projeto “Série Concertante”, realizado em vários teatros de São Paulo, Rodrigo Vitta é conhecido por associar o desenvolvimento profissional de jovens músicos à divulgação de repertórios nos estilos barroco, clássico e romântico de compositores nacionais e internacionais dos séculos 19 e 20.

O maestro tem em seu currículo concertos à frente da Orquestra de Sopros Brasileira e da Filarmônica de Montevidéu, entre outras, e a interpretação de obras de alguns dos maiores compositores de todos os tempos, como Amaral Vieira, Bach, J. Haydn, Mozart, Telemann, John Leavitt, Vivaldi, Béla Bártok, Villa-Lobos, Dinos Constantinides, Alberto Nepomuceno, Paul Hindemich, J. Brahms e Tchaikovsky. Também realizou concertos em que misturou Música Popular Brasileira (MPB) e música erudita, interpretando obras de Chico Buarque, Gilberto Gil, Djavan, Caetano Veloso, Tom Jobim, Milton Nascimento, Ivan Lins, Chico César, Lenine, Adoniran Barbosa e Roberto Carlos.

Vitta também é responsável pela direção musical dos espetáculos de dança Ágape, com músicas de Tchaikovsky, e Quarteto para o Fim dos Tempos (Oliver Messian). Além disso, foi responsável pelos arranjos de orquestra em CDs de grandes nomes da MPB, como Fábio Jr, Chitãozinho e Xororó, Sandy & Júnior, Moraes Moreira, entre outros. Compôs trilhas sonoras para Teatro e Cinema e foi premiado em diversos concursos de composição.

Mestre em Semiótica pela PUC e Bacharel em Composição pela (FAAM), Rodrigo Vitta é professor de Técnica de Composição e Canto Coral Masculino da Uni FIAM/FAAM.

 

 

Alexandre Santos

*trabalho para Débora de Barros (DB Music)

Áurea Beleza

27 Fevereiro, 2009 por jornalistaalexandresantos

"Concha del Nautilus" - Foto de José Galaviz

"Concha del Nautilus" - Foto de José Galaviz

 

 

 

Filho da perfeição,

quem te fez assim tão perfeito?

Objeto que trago no peito.

Herança de meus ancestrais.

No braço diagonal se contrai

a lógica universal, a matemática das espirais.

 

Está nas estrelas de cinco pontas.

Está nas contas desse mistério.

Na fronteira dos hemisférios.

Na ordem da criação.

Quem te fez exatidão?

Quem gerou teus números? Quem te fez canção?

 

Pitágoras, Phibonacci, Cézanne…

Quem observou o instante fugaz

em que tua forma se faz

êxtase da beleza,  perfeição ocular?

Seria o acaso retangular

o autor de tua grandeza? Ou seria a Áurea inteligência linear?

 

Alexandre Santos

Saiba mais sobre proporção áurea ou número de ouro:
http://www.youtube.com/watch?v=58dmCj0wuKw
http://www.youtube.com/watch?v=bdIZvlUgptM

Verso e Melodia

26 Fevereiro, 2009 por jornalistaalexandresantos

olho_azul

Um novo dia há de surgir
por trás dessa mata escura que nos cerca,
por trás da fumaça cinza e cega,
dos faróis sem brilho,
da mordaça que aperta e cala
a alma de quem grita a dor mais profunda de um coração,
que, ferido, chora; num silêncio profundo e cortante.

E cala, mas não totalmente,
pois os poros gritam o que a boca não fala,
os olhos sussurram o que a garganta amarra
e o corpo canta o que a voz soluça.

No pranto, canta a poesia.
Aquele que chora já é poeta:
lágrimas são verso e melodia,
então há de surgir um novo dia.
E já o vejo despontando,
simples e soberano,
como o mais humilde dos mortais
e o mais belo dos astros.

Por trás das janelas,
das pálpebras entreabertas,
num piscar instantâneo,
os olhos brilham, anunciando:
o dia já vai chegar!

Alexandre Santos
*imagem “Olho Azul” – autor desconhecido

A vida não precisa de plástica

29 Janeiro, 2009 por jornalistaalexandresantos

benjaminbuttonCena do filme “O Curioso Caso de Benjamin Button”

 

                A sociedade atual vive uma grave crise. Não apenas econômica, mas principalmente de identidade. Ocorre uma inversão de valores e uma perigosa relativização que têm afetado todas as áreas, tornando tudo descartável e circunstancial, de modo que se tira a importância real das coisas e confere a tudo e a todos uma relevância que oscila ao sabor das conveniências do momento. Na sociedade atual, até a vida pode ser descartada de acordo com a circunstância e os interesses de quem decide.

                Um dos fatores que têm sido atingidos brutalmente por essa turbulência existencial é a auto-estima. Sim, as pessoas vivem em meio a uma superficialidade tamanha que não conseguem lançar um olhar mais atento para si mesmo e para o mundo, desperdiçando a oportunidade de aprofundar sua visão a respeito da própria vida. Daí o sentimento de rejeição de si mesmo e da própria aparência, como se a pessoa se resumisse ao que se vê diante do espelho.

                Um claro sinal disso são as milhares e milhares de pessoas que lotam os consultórios de cirurgia plástica no mundo inteiro. Mudar as formas do corpo e os traços do rosto, antes uma prática restrita a casos específicos, hoje virou uma febre, uma moda abordada pela mídia de várias maneiras: desde entrevistas com profissionais, nesses programas que dão dicas sobre estética, até reality shows em que pessoas comuns se submetem a diversas cirurgias para tentar ficar parecido com algum astro do cinema ou da música. Sem esquecer, é claro, das famosas “transformações”, que mostram o antes e o depois em diversos programas de TV.

                Se em várias culturas da antiguidade se embalsamavam os mortos na crença de que isso faria perpetuar a vida de uma pessoa importante ou na certeza de que um dia o espírito de um grande líder voltaria ao seu corpo, hoje em dia existe uma corrida desenfreada pelo cobiçado (porém ainda não encontrado) elixir da juventude. É, hoje em dia as pessoas estão sendo embalsamadas em vida, tentando de todas as formas voltar a ser jovem ou evitar as tão indesejadas rugas. Se antes era necessário ir a um museu importante para ver uma múmia, hoje as encontramos por toda parte.

Com todo respeito ao legítimo direito que as pessoas têm de fazerem cirurgias plásticas, penso que anda havendo um exagero. O medo de envelhecer tem feito de muita gente verdadeiras múmias vivas. Não apenas pelo exagero de repuxos e de produtos injetados nos músculos da face, nas pernas, nos seios e em todo o corpo. Quem não tem dinheiro para se “transformar”, vira uma múmia por dentro, insatisfeita com a própria idade e sofrendo de um pavor maior a cada ano que se passa. Se continuarmos assim, desprezando a velhice, muito em breve vamos viver numa sociedade suicida, em que as pessoas vão tirar a própria vida aos 30 anos, para não ter que se ver envelhecendo. Parece argumento trágico de um desses filmes de Hollywood, não é? Pois não estamos muito longe de disso.

Por falar em cinema, esta semana assisti um filme extraordinário. Há, na minha memória, uma lista de títulos que considero os melhores que já assisti ao longo dos meus 32 anos de vida. Antes de ontem, quando a tela escureceu e os créditos começaram a subir, percebi que havia acabado de presenciar mais um daqueles filmes que tiveram a capacidade de me arrebatar e que, portanto, merece estar nesse seleto grupo dos melhores filmes da minha vida.

O nome do filme é “O Curioso Caso de Benjamim Button”, protagonizado por Brad Pitt e Cate Blunchett, numa atuação, a meu ver, impecável de ambos. O longa-metragem de quase três horas conta a história de um homem que nasceu com uma velhice precoce, mas que ao longo dos anos, ao invés de envelhecer mais, rejuvenece. “Um sonho”, talvez diga alguém mais apressado. Mas o filme discute, de modo profundo e bonito, o processo de envelhecimento e o medo que as pessoas têm de perder a beleza e o vigor da juventude. No final das contas, a certeza de que envelhecendo ou rejuvenecendo, chegaremos ao mesmo lugar, à mesma situação, inerente à condição humana.

Não sou crítico de cinema nem expert da sétima arte para fazer uma avaliação técnica a respeito do roteiro, da narrativa, da fotografia, da continuidade, da maquiagem ou do desempenho dos atores . O fato é que o filme me arrebatou e me levou a perceber o valor da vida em todas as suas fases, a beleza de viver bem os desafios e descobertas de cada momento, desde a mais tenra idade até o último suspiro.

Cada um tem uma visão a respeito desse assunto e todos têm o direito de querer ser mais jovem, mais bonito, mais forte. Porém, acredito que vale a pena assistir a “O Curioso Caso de Benjamin Button” para perceber que a vida não precisa de plástica, ela é linda do jeito que é, com todas as suas nuances, agradáveis ou não. A velhice não é o problema, a juventude também não, o mal está em não se aceitar, não se amar. Aí não vai adiantar ter 5 ou 50, 20 ou 40, estaremos sempre insatisfeitos, e o espelho será sempre o nosso pior inimigo.

 

Alexandre Santos, 32 anos

28/01/2009