
Um novo dia há de surgir
por trás dessa mata escura que nos cerca,
por trás da fumaça cinza e cega,
dos faróis sem brilho,
da mordaça que aperta e cala
a alma de quem grita a dor mais profunda de um coração,
que, ferido, chora; num silêncio profundo e cortante.
E cala, mas não totalmente,
pois os poros gritam o que a boca não fala,
os olhos sussurram o que a garganta amarra
e o corpo canta o que a voz soluça.
No pranto, canta a poesia.
Aquele que chora já é poeta:
lágrimas são verso e melodia,
então há de surgir um novo dia.
E já o vejo despontando,
simples e soberano,
como o mais humilde dos mortais
e o mais belo dos astros.
Por trás das janelas,
das pálpebras entreabertas,
num piscar instantâneo,
os olhos brilham, anunciando:
o dia já vai chegar!
Alexandre Santos
*imagem “Olho Azul” – autor desconhecido
Tags: canção, dia, letra, música, melodia, novo, Poema, poesia, verso