República do balacobaco 2

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            Realmente o Brasil é a república do balacobaco. Não há outro adjetivo (se é que pode ser chamado assim) que defina melhor essa característica tão pitoresca das terras tupiniquins.

      Todo mundo sabe que, no Brasil, as coisas só começam a funcionar depois do Carnaval. Isso é fato. As escolas voltam às aulas, mas naquele ritmo meio de quem acabou de acordar e ainda está com a barba por fazer. Assim acontece também com outras esferas da sociedade brasileira.

      No Congresso Nacional, órgão que, através dos seus deputados e senadores, representa tão “fielmente” o povo brasileiro, não podia ser diferente.

      Após a frustrada tentativa de aumentar o próprio salário em 91%, proposta que deve voltar após a eleição do novo presidente da Casa, os senhores deputados se preparam para, após a folia, votar a anistia dos deputados cassados Roberto Jéfferson e José Dirceu.

      É incrível como no Brasil tudo vira pó, principalmente no que diz respeito aos mais abastados e poderosos. Para quem tem grana ou poder político, todas as portas se abrem, até as dos presídios.

      Semana passada, uma outra notícia me deixou pensativo. Deputados estaduais de São Paulo querem abrir uma CPI para investigar as causas do desmoronamento das obras da linha 4 do metrô, que matou 6 pessoas (suspeita-se de uma sétima vítima) e deixou várias famílias com risco de perder suas casas. 

      A grande pergunta é: para que uma CPI? Qual o motivo de se criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar qualquer coisa que seja nesse país? Só vejo uma possibilidade: servir de palanque político para os partidos, visando às eleições municipais de 2008. Se não é isso, então alguém faça-me o favor de esclarecer. As CPIs que temos visto até hoje não serviram para muita coisa, a não ser para promover políticos.

      Quantas Comissões foram criadas ano passado? Quantas deram resultado? Algumas terminaram sem relatório, outras investigaram, investigaram, mas não indiciaram ninguém. A do mensalão chegou a cassar dois deputados: um, já era réu confesso, não tinha como não ser cassado. O outro, era considerado chefe do esquema e foi sacrificado para que a CPI mostrasse algum serviço. Ninguém mais foi punido. Num esquema de corrupção considerado por alguns como o pior de todos os tempos, como pode apenas dois parlamentares serem punidos? Em que a “CPI do Buraco” seria diferente?

      Aliás, por falar em buraco, um episódio triste mostra a realidade de um país em que seus responsáveis têm mais interesse em fazer média do que em atender as reais necessidades da população.

      Os senhores do Consórcio Via Amarela, responsáveis pelo acidente, compraram caixões de luxo para as vítimas do desmoronamento para não fazer feio diante das câmeras das emissoras que, cansativamente, repetindo diversas vezes as mesmas imagens e informações, faziam os telespectadores acharem que não havia mais nada acontecendo em São Paulo além desse acidente.

      Eles esqueceram que jazigo de pobre é pequeno e, no enterro do motorista de caminhão, o caixão não coube no espaço da cova. O motorista teve que ser enterrado de lado.

      Quem gostou mesmo do clima de espetáculo gerado em torno do acidente foram os fabricantes de uma bebida energética, que enviaram garotas uniformizadas e carrinhos-freezer com a marca do produto para distribuir a bebida entre as pessoas que trabalhavam no resgate das vítimas. Isso é que é aproveitar o limão para fazer uma limonada, ou um merchandising.

Alexandre Santos
*artigo publicado no dia 23/01/2007 na editoria de Política do site Portal Católico (www.portalcatolico.org.br)

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3 Respostas to “República do balacobaco 2”

  1. Manuela Says:

    Oi! Será que pode me enviar e-mail explicando o significado de balacobaco. Sou portuguesa, e residente em Portugal, e li a palavra, da qual desconheço o significado, numa crónica de um jornalista brasileiro que escreve num semanário português. Obrigada. Um abraço,
    Manuela

  2. Nathalia Says:

    O que é balacobaco?

    • jornalistaalexandresantos Says:

      Oi, Nathalia… boa tarde.
      Balacobaco é uma expressão originalmente criada, se não me engano, por Sargentelli, para representar a cadência ou o swing do samba e do carnaval: “É no balacobaco, é no telecoteco…”.
      Depois, com o uso, o termo ganhou uma conotação mais ampla, representando tudo o que diz respeito a festa, descontração, do fuzuê: “Essa menina é mesmo do balacobaco!”.
      Por fim, a palavra adquiriu um significado mais pejorativo, indicado a “festa” no sentido de esculhambação, de não levar as coisas a sério, de ser relaxado com as coisas importantes, malandragem, etc… É nesse sentido que o termo está sendo empregado no artigo.

      Muito obrigado pelo interesse…

      Um grande abraço

      Alexandre

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