Propagandas, personagens e uma barba!

     
Charge “A Tesoura de Enéas”, do cartunista Márcio Leite

     Começou a ser veiculada esta semana a Propaganda Eleitoral Gratuita, no Rádio e na Televisão. Duas vezes por dia, candidatos a deputado (estadual e federal), governador, senador e presidente se revezaram diante das câmeras e dos microfones.

     Com argumentos forjados pelo marqueteiros de plantão, os candidatos foram repetitivos e não apresentaram propostas concretas. Todos disseram que o Brasil precisa crescer 5,5% ao ano, gerar mais empregos, melhorar a educação, controlar o avanço do crime organizado. Mas ninguém disse como vai fazer tudo isso.

     Para dizer essas coisas não precisa nem ser político. Aliás, parece que só o fato de ser político já é um argumento contra, nesses tempos de mensaleiros e sanguessugas. Teve candidato que, para conquistar a confiança e o voto do eleitor, não se fez de rogado e disparou: “sabe por que você pode confiar em mim? Porque eu não sou político”.

     Mas os destaques dos dois primeiros dias de xarope eleitoral foram, sem dúvida, alguns candidatos em particular. Uns já bem conhecidos dos eleitores, outros nem tanto, mas que nos últimos meses tiveram seus rostos expostos nos principais noticiários do país.

     Primeiro, o pré-histórico Paulo Maluf, que com uma insistência inacreditável tenta garimpar os votos de seus fiéis eleitores para tentar se eleger como deputado federal. Outro candidato que se destacou ontem foi o ex-presidente do PL e ex-deputado Valdemar da Costa Neto, que fez um mea-culpa diante das câmeras. O candidato assumiu ter recebido dinheiro de caixa 2 e pediu uma nova chance ao eleitor, disse que quer recomeçar depois do erro. Os telespectadores quase foram às lágrimas.

     Mas o grande destaque do dia foi mesmo o folclórico candidato e fundador do Prona, Enéas. Apresentando novo look, o candidato a deputado federal teve medo de não ser reconhecido por seus eleitores e colocou, no canto superior direito da tela, uma foto com sua antiga aparência: usando sua pomposa e famosa barba. 

     Após dizer as mesmas coisas que sempre fala, desde a sua primeira tentativa de chegar à Presidência, o candidato disparou: “Por causa da minha doença (leucemia) perdi minha barba, mas com barba ou sem barba, meu nome é Enéas!”.

     O novo bordão deixa escapar que, assim com os cabelos de Sansão, a força de Enéas é a sua barba, talvez até mais importante que o próprio candidato. Mas não tem problema se agora ela está impossibilitada, em 2010 ela volta para ser presidente.

     E o bordão será: com Enéas ou sem Enéas, eu sou a Barba! Quem sabe ela não tem melhores propostas a apresentar?

Alexandre Santos
* artigo publicado no Portal Católico, no dia 17 de agosto de 2006
http://www.portalcatolico.org.br/main.asp?View=%7B84BA3EE0%2D2580%2D4423%2DA68D%2D4B6028927E64%7D&Team=¶ms=itemID=%7BCA920752%2D29CC%2D45D3%2D832D%2D8F13C56976B3%7D%3B&UIPartUID=%7B2C3D990E%2D0856%2D4F0C%2DAFA8%2D9B4E9C30CA74%7D

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